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	<title>Universo Futebol</title>
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	<description>Reflexões sobre futebol</description>
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		<title>A loja do Djaló e da Luciana</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2010 13:13:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Aguilar</dc:creator>
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A minha dedicatória  desta semana vai para o casal mais cor-de-rosa do  momento.  Recentemente, Yannick Djaló e a sua Luciana Abreu abriram uma  loja de  roupa aqui perto da minha casa. Numa análise à crítico de cinema  do  Público, digo apenas isto: peças foleiras a preços desumanos.
Em  [...]]]></description>
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<p>A minha dedicatória  desta semana vai para o casal mais cor-de-rosa do  momento.  Recentemente, Yannick Djaló e a sua Luciana Abreu abriram uma  loja de  roupa aqui perto da minha casa. Numa análise à crítico de cinema  do  Público, digo apenas isto: peças foleiras a preços desumanos.</p>
<p>Em  declarações a uma dessas revistas de formato A5, Luciana disse que  o  casal desenhava cada uma das peças e ainda servia de modelo às várias   colecções. Ao olhar para a montra, acredito perfeitamente que assim   seja.  Talvez Luciana e Djaló tenham pensado que estas suas invenções de   vestuário iriam ter tremendo sucesso no Montijo e espantar todas as   gentes da terrinha. Primeiro, porque eles são muito famosos. E segundo   porque, para além de serem muito famosos, os seus gostos são uma   fantástica novidade para as pouco sofisticadas pessoas desta pequena   cidade da margem sul.</p>
<p>Esquece-se este casal, porém, que o  Montijo pode ser uma pequeno, mas  fica apenas a poucos minutos de  Lisboa. E que muito antes de ter  adoptado Djaló e Luciana, viu nascer  José Neto, Paulo Futre, Fernando  Mendes, Dulce Pontes, Fialho Gouveia  ou o grande maestro Jorge Peixinho, entre tantas  outras figuras do país  e do mundo (perdoa-me Rodrigo Guedes de  Carvalho).</p>
<p>Mas  apesar das nossas divergências relacionadas com moda e com a boa  arte  de vestir, tenho de dar os parabéns ao jovem casal por aquilo que o   rapaz conseguiu fazer na Dinamarca, frente ao Brondby. Desde miúdo que  adoro golos no último minuto. Têm uma dramaticidade  incrível que realça  a verdadeira essência do futebol. O passe de Liédson  foi fantástico (e  ajuda bastante), mas a movimentação de Djaló, e a  forma como fez um  “chapéu” ao guarda-redes dinamarquês, é de deixar  qualquer um que goste  de futebol com água na boca. Não é nada fácil ter  tanta calma no  último minuto de uma partida em que já todos pensam no  prolongamento  (incluindo muitos dos que estão lá dentro).</p>
<p>O resto teve a  beleza e crueldade que tantas vezes andam associadas a  esta arte:  quando soou o apito final, os leões entraram em êxtase, com o  roupeiro  Paulinho (adoro este homem) a saltar para cima do treinador  Paulo  Sérgio, enquanto os dinamarqueses eram abatidos por um  cocktail de  depressão, tristeza e impotência. Mesmo eles, que são um  povo frio, não  conseguiram esconder a desolação que lhes tomou conta do  rosto. E  agora perguntam vocês: «Muito bem, aceita-se esse elogio ao  Djaló, mas o  que é que a Floribela tem a ver com o assunto?» Tudo, meus  caros.  Tudo.</p>
<p>Desde que o miúdo das escolas do Sporting descobriu o  amor da sua  Luciana, passou a andar com mais alegria dentro de campo.  Hoje, Djaló,  que tantas vezes parecia triste e cabisbaixo quando as  coisas não lhe  saiam bem, é um homem mais tranquilo, que fita o seu  destino com um  sorriso. Mesmo quando joga mal, já não lhe vemos aquela  expressão de  puto desesperado. Agora, sabe ter sossego, esperar pela  sua vez,  aguardar pelo momento em que pode fazer a diferença e tentar  aproveitar.  Também tem uma real noção do que vale um grande falhanço e  um grande  golo nesta altura da época. Vale pouco. Vale mesmo muito  pouco. Por isso, quando o jogo terminou, Djaló limitou-se a erguer os  braços para o ar,  com um sorriso de satisfação pela vitória (e pelo  golo da vitória), mas  não entrou em festejos apoteóticos que, neste  dia, até seriam  justificados para ele. Não. Em vez disso, preferiu  saborear a entrada na  fase de grupos da Liga Europa com a serenidade de  um homem que aprendeu  a respirar a vida sem inspirar o ar todo de uma  só vez. Porque Djaló,  por mais vitórias e derrotas em que participe,  sabe que já marcou o  melhor golo de todos. O golo do amor. Com a sua  jovem Luciana.</p>
<p>Basta olhar para aqueles dois para ver que  se amam. Podem ter mau  gosto a vestir, pouca aptidão para dizer alguma  coisa de jeito, mas  têm-se um ao outro. E estão bem um para o outro.  Ela faz-lhe bem e isso  nota-se nele.</p>
<p>Por isso, dedico-vos  estas linhas. Mas, por favor, não me obriguem a  comprar a vossa roupa.</p></div>
</div>
<br/><p><img src="http://www.universofutebol.com/wp-content/plugins/emailthis/email.jpg" style="border: 0px; padding: 0px 5px 0px 0px; margin: 0px; float:left;" alt="Email this post"> <a href="/email/?id=2162" rel="nofollow" title="Enviar este artigo a um amigo" style="font-weight: bold;">Enviar a um amigo</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Benfica e braga vão jogar a final da Champions (e o Benfica vai ganhar 10 a 1)</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 12:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Aguilar</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[benfica champions]]></category>
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		<description><![CDATA[Não me perguntem como adivinhei, que equipas vão aparecer pelo caminho e se os jogos serão sofridos ou completamente controlados do ponto de vista técnico-táctico-jurídico-culinário-emocional. Sei apenas que a final da Champions League de 2011 será entre o Benfica de Jesus e o Braga de Pinto da… perdão… de Domingos. O Braga de Domingos.
E mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não me perguntem como adivinhei, que equipas vão aparecer pelo caminho e se os jogos serão sofridos ou completamente controlados do ponto de vista técnico-táctico-jurídico-culinário-emocional. Sei apenas que a final da Champions League de 2011 será entre o Benfica de Jesus e o Braga de Pinto da… perdão… de Domingos. O Braga de Domingos.</p>
<p>E mais não sei porque a minha bola de cristal também parece andar afectada pelos efeitos nefastos desta <em>silly season</em>. Veja bem o leitor que, ontem, ao perguntar-lhe quem iria ser eleito o melhor jogador FIFA de 2010, ela deu-me a seguinte resposta, sem qualquer hesitação: Matías Fernandez. Primeiro tive um ataque de riso que quase me provocou um colapso pulmonar, mas depois pensei em atirar a bola contra a parede. Só não o fiz porque este foi o mesmo objecto que, o ano passado por esta altura, me disse que o Fábio Coentrão iria ser um dos melhores laterais-esquerdos do mundo no final da época. Também nesse momento escangalhei-me em riso, mas tive de engolir tudo durante o resto da temporada (mais esse anexo chamado Mundial em que a Seta Loura viajou com 22 desconhecidos até que apareceu outro craque chamado Rúben Amorim. E se Coentrão está entre os melhores laterais-esquerdos deste e doutro planeta, também é justo dizer que Amorim é o melhor defesa-direito, médio-direito, pivô e número 10. Mesmo assim preferia que o Ramires tivesse ficado.)</p>
<p>Mas voltemos à Champions. Embora não saiba o trajecto das equipas, sei como se irá desenrolar o filme da final. Matheus marca o primeiro do jogo num daqueles contra-ataques muito parecidos ao que deu o golo inaugural frente ao Sevilha. Nos dez minutos seguintes, o Benfica vai andar descontrolado, ficando mesmo perto de sofrer o segundo por duas ocasiões.</p>
<p>Depois de atingido o quarto de hora, porém, tudo muda. Saviola empata o jogo, deixando sete jogadores do Braga para trás. Nas comemorações, entra pela bancada adentro e ainda finta mais 23 adeptos que o tentam abraçar até que os No Name Boys conseguem abalroá-lo, esmagando El Conejito no meio dos festejos. Depois dessa celebração, Saviola sai lesionado e dá o seu lugar a Jara que completa um hat-trick ainda antes da meia hora de jogo. Placar: 4-1. Em cima do apito para o intervalo, Cardozo faz o 5-1 com um remate-alívio feito dentro da área do Benfica, depois de um pontapé de canto dos minhotos.</p>
<p>Com o jogo resolvido nos primeiros 45´, Jorge Jesus pede à equipa para continuar a dar espectáculo e os jogadores satisfazem o pedido do treinador que saiu da Amadora para o mundo (mas que irá ter muito mais sucesso que os Buraka Som Sistema).</p>
<p>A etapa complementar mostra Aimar ao seu melhor nível no regresso à competição, depois de ter estado três meses sem jogar devido a um traumatismo da sobrancelha esquerda. O 10 encarnado marca o 6-1 num toque de calcanhar fora da área, mas na sequência desse lance genial fica novamente lesionado porque, durante os festejos, Cardozo toca-lhe acidentalmente na mesma sobrancelha. Carlos Martins entra para o seu lugar e faz o sétimo num livre directo tão potente que nem as 79.675 câmaras da final conseguem captar. O 8-1 pertence a Salvio com um remate de pé esquerdo sobre o lado direito, ou de pé direito sobre o lado esquerdo (tal como Jesus, a bola de cristal também ainda não sabe onde vai jogar o jovem que veio do Atlético Madrid). O 9-1 tem a assinatura de Fábio Coentrão que, após um arranque monstruoso pela esquerda, consegue marcar à quarta recarga, depois dos primeiros três remates embaterem em todo o lado menos na rede.</p>
<p>Para arrumar a contagem, o 10-1 é apontado pelo guardião Roberto que, nessa altura, já andará tão moralizado que até sai da área com a bola controlada a fintar adversários. O seu golo irá surgir numa dessas iniciativas individuais já nos descontos de tempo.</p>
<p>Fim do jogo, Benfica campeão europeu, Luisão recebe a taça das mãos de Platini e eu sou considerado o Nostradamus dos tempos modernos, à frente do polvo Paul. O resto da história continua no Marquês de Pombal durante os dois meses seguintes.</p>
<p><em><strong>Foto: Direitos Reservados </strong></em></p>
<br/><p><img src="http://www.universofutebol.com/wp-content/plugins/emailthis/email.jpg" style="border: 0px; padding: 0px 5px 0px 0px; margin: 0px; float:left;" alt="Email this post"> <a href="/email/?id=2159" rel="nofollow" title="Enviar este artigo a um amigo" style="font-weight: bold;">Enviar a um amigo</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Meu querido Braga…</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 18:43:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Aguilar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nacional]]></category>
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		<description><![CDATA[Hoje todos gostam de ti. És capa de jornal, peça de abertura de noticiários, principal referência dos comentários ditos especializados e orgulho de todos aqueles que, de repente, passaram a adorar-te. Mas no dia em que jogavas o acesso à Liga dos Campeões, em pleno Sánchez Pizjuán, foste votado ao desprezo daqueles que deviam ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje todos gostam de ti. És capa de jornal, peça de abertura de noticiários, principal referência dos comentários ditos especializados e orgulho de todos aqueles que, de repente, passaram a adorar-te. Mas no dia em que jogavas o acesso à Liga dos Campeões, em pleno Sánchez Pizjuán, foste votado ao desprezo daqueles que deviam ser os primeiros a dar-te apoio e uma mensagem de coragem.</p>
<p>Nessa manhã, os três diários desportivos optaram por não fazer o destaque de capa sobre ti. Em vez de um «Força Rapazes», «Operação Champions» ou «Vamos para cima deles» (manchetes tão habituais nos dias em que os três grandes têm embates europeus), deram-te apenas os quadradinhos laterais. Era aí, nesse espaço minúsculo e sem expressão, que apareciam as declarações de Domingos: «Acredito que vamos marcar em Sevilha» ou «Jogamos sempre para ganhar». Uma vontade gigante arrumada numa caixa tão pequena. E quais foram os tão justificáveis motivos para te prenderem na cela das notícias menores? Vamos por partes.</p>
<p>A Bola mostrava uma foto gigante com um aperto de mão entre Luís Felipe Vieira, presidente do Benfica, e José Eduardo Bettencourt, seu homólogo no Sporting, naquilo que o jornal considerava ser uma «cimeira de alto nível» sobre o «acerto de posições» entre os dois clubes em relação às «modalidades amadoras». Assim, um almoço entre dois dirigentes, num restaurante próximo da Avenida de Berna, torna-se mais digno de destaque do que a equipa do campeonato português que tem um jogo decisivo no campo de um dos melhores conjuntos de Espanha para aceder a essa reles competição que se dá pelo nome de Champions League – e que em nada contribui para a evolução do futebol nacional. Há dias, como este, em que até a Champions se transforma numa ninharia. É bem melhor destacar o aperto de mão de dois dirigentes (só faltou saber qual foi a ementa do almoço) e relegar jogadores e treinadores para segundo plano de forma a dar-se protagonismo aos presidentes dos clubes.</p>
<p>Os outros dois “desportivos” não foram tão longe no ridículo, mas ficaram-se pelo costume. E o costume, num dia como este, seria sempre mau. O Record optou por dar a abertura de capa ao suposto interesse do Benfica no médio Wendel, do Bordéus. O Jogo fez capa com Otamendi, o central argentino que os dragões contrataram ao Vélez Sarsfield. No dia seguinte, A Bola e O Jogo emendaram a mão e pintaram as capas com o triunfo arsenalista. Já o Record manteve o estilo e, em vez de Wendel, agora era o brasileiro Mailson que estava a um passinho muito curtinho de assinar pelas águias.</p>
<p>Face às pressões comerciais dos grupos que detêm os órgãos de comunicação social, não posso culpar apenas os editores e directores destes jornais. Também sou jornalista, também já lidei (e lido) com essas pressões e, sejam quais for os motivos da minha discórdia, continuarei a ser um fiel leitor e comprador de jornais desportivos até ao dia em que deixar este mundo. Mas há excepções que dão raiva e acontecimentos que deviam, também eles, merecer uma excepção que vá além das capas vermelho Benfica, verde Sporting e azul Porto. Esta seria uma delas. E um vermelho Braga teria ficado muito melhor.</p>
<p><em><strong>Foto: Direitos Reservados </strong></em></p>
<br/><p><img src="http://www.universofutebol.com/wp-content/plugins/emailthis/email.jpg" style="border: 0px; padding: 0px 5px 0px 0px; margin: 0px; float:left;" alt="Email this post"> <a href="/email/?id=2154" rel="nofollow" title="Enviar este artigo a um amigo" style="font-weight: bold;">Enviar a um amigo</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Caro Cardozo, quero voltar a ser fanfarrão&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 16:45:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Aguilar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Óscar Cardozo]]></category>

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		<description><![CDATA[Isto é grave. Isto é mesmo muito grave. Pior do que as derrotas do Benfica, é o facto de não poder entrar no café aqui do bairro a exibir fanfarronice para com todos os adeptos de Sporting e Porto. Estava a habituar-me novamente a esta coisa de ser grandioso e intocável. Àquele espírito que Jesus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isto é grave. Isto é mesmo muito grave. Pior do que as derrotas do Benfica, é o facto de não poder entrar no café aqui do bairro a exibir fanfarronice para com todos os adeptos de Sporting e Porto. Estava a habituar-me novamente a esta coisa de ser grandioso e intocável. Àquele espírito que Jesus e seus discípulos nos injectaram durante a última época. Quando a bola saia a meio-campo, na Luz gritava-se imediatamente «1-0». Agora grita-se «ponham-se à frente do Roberto».</p>
<p>Passar de rico a pobre em pouco mais de duas semanas, é uma fatalidade para a qual não estava preparado. Prefiro o marisco aos tremoços (mesmo que o Eusébio pense tratar-se da mesma coisa), e gosto mais de mergulhar na praia do que apanhar banhos de sol no quintal. Como diz uma amiga minha, «há vidas mais baratas, mas não servem». E depois de andar a provar banquetes de grande futebol durante toda a época passada, não me obriguem agora a ter de me contentar com uma miserável sandes de atum, jornada após jornada.</p>
<p>Só espero que tudo isto não passe de uma brincadeira. De um gozo que estamos a dar à concorrência directa. Quero acreditar que, este ano, para além de ganharmos, queremos brincar com as emoções dos nossos rivais. Fazê-los pensar que já não somos bons e que eles são os maiores. Só para sermos mauzinhos. Mas depois voltamos a pôr tudo no sítio e acabamos o campeonato com três troféus (digo apenas três troféus porque não me parece que este ano consigamos repetir a conquista da Taça da Liga).</p>
<p>Deve ser isso. Tem de ser isso. De outra forma, não compreendo nem aceito que se transforme uma equipa vencedora num conjunto de rapazes inseguros. Para mim, isto foi muito simples. Logo no primeiro dia da pré-época, Jesus terá dito ao plantel: «Vamos entrar a perder, a sofrer golos de bolas paradas, a falhar tentos escandalosos e depois, quando estivermos para aí a 12 pontos do primeiro lugar, desatamos a esmagar toda a gente e acabamos o campeonato com dez de avanço para o segundo que, este ano, deverá ser o Vitória de Guimarães do meu grande amigo Manuel Machado. Quanto a ti, Roberto, sei que és o novo Casillas, mas melhor, só que tenho de te pedir para dares umas valentes &#8220;frangalhadas&#8221; nos primeiros jogos. Faz parte do plano.» Os jogadores ouviram, interiorizaram, e estão agora a fazer o que lhes foi pedido pelo treinador. Tal como fizeram anteriormente para jogar bom futebol e vencer jogos.</p>
<p>No fundo, o Benfica está a querer dar um toque de suspense a uma Liga que precisa desta incerteza. Jesus está a fazer serviço público a cada derrota e a contribuir para a valorização de um produto em que os grandes, com maior ou menor dificuldade, ganham sempre. Assim, deu-se esperanças e pontos a equipas como a Académica e o Nacional. E dessa forma, esses conjuntos estarão ainda mais fortes e confiantes quando defrontarem Porto, Braga, Guimarães e Setúbal que são, quanto a mim, os outros grandes candidatos ao título.</p>
<p>Mas mesmo acreditando que seja esta a estratégia, começa a incomodar-me o facto de ainda não poder lançar umas farpas ao coração dos crentes azuis e dos descrentes verdes. Esperar é uma virtude, bem sei, mas já agora, não dá para fazer o jeito e dar oito secos ao Setúbal já este sábado? É que ando mesmo a sentir falta de voltar a ser fanfarrão. Percebeste, Cardozo?</p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em>Foto: Direitos Reservados</em></strong></p>
<br/><p><img src="http://www.universofutebol.com/wp-content/plugins/emailthis/email.jpg" style="border: 0px; padding: 0px 5px 0px 0px; margin: 0px; float:left;" alt="Email this post"> <a href="/email/?id=2143" rel="nofollow" title="Enviar este artigo a um amigo" style="font-weight: bold;">Enviar a um amigo</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Tem cuidado, Vieira!</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 14:39:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Aguilar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Jesus]]></category>
		<category><![CDATA[José Veiga]]></category>
		<category><![CDATA[Luis Felipe Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Rui Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[Gabriel García Marquez afirma que «a vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver». Não sei se o presidente do Benfica, Luís Felipe Vieira, alguma vez se deliciou com as páginas de Cem Anos de Solidão, O Amor em Tempos de Cólera ou algum dos outros grandes êxitos do escritor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gabriel García Marquez afirma que «a vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver». Não sei se o presidente do Benfica, Luís Felipe Vieira, alguma vez se deliciou com as páginas de <em>Cem Anos de Solidão</em>, <em>O Amor em Tempos de Cólera</em> ou algum dos outros grandes êxitos do escritor colombiano. Duvido. Mas tenho a certeza que sabe interpretar, na perfeição, a sobrevivência entre bonanças e tempestades, através de um jogo de cintura muito politico que lhe vai valendo a continuidade na cadeira do poder.</p>
<p>Com ideias mais ou menos engenhosas, e atitudes mais ou menos pindéricas, aquele bigode estalinista escapou várias vezes à lâmina da ira dos adeptos encarnados para continuar a crescer bem perto da águia Vitória e da estátua de Eusébio.</p>
<p>Alguns vêem nesse espírito camaleónico uma virtude de liderança. Para mim, é outra coisa. É apenas falta de carácter. Para mim, o melhor Vieira é aquele que aparece discreto sempre que sente ter os dias contados. É aquele que, por vezes, volta a perceber que não sabe nada de futebol e deixa essa tarefa para homens mais competentes. O problema é que esse Vieira oscila com o outro: aquele que é totalitário, que quer todo o protagonismo do que corre bem e nenhuma responsabilidade do que corre mal. Tem sido assim desde que chegou a presidente do Benfica.</p>
<p>Primeiro contratou José Veiga para ter alguém que conseguisse encontrar jogadores competitivos a baixo custo. Veiga, apesar de sempre ter sido uma figura contestada na Luz – devido ao seu passado de ligações com Pinto da Costa –, acabou por fazer um bom trabalho e lançou as bases que estiveram na origem do campeonato ganho pelo Benfica de Trapattoni, em 2004/05. Passou a ser bem visto por alguns sócios que antes queriam cortar-lhe a cabeça e, para mal dos seus pecados, passou a ter mais notoriedade do que o presidente que o contratara. LFV sentiu-se amesquinhado pelo sucesso da sua boa decisão e começou então a esconder jogo de Veiga até que este, farto e agastado, se demitiu.</p>
<p>Os anos passaram, os nomes mudaram, mas a necessidade de protagonismo continua a ser a grande chaga do presidente encarnado. E agora a vitima é Rui Costa – o homem que o presidente convenceu a ser director desportivo do Benfica para silenciar a ira dos adeptos por causa da horrorosa época de 2006/07. Recorde-se que essa foi a temporada em que o Benfica teve três treinadores – Fernando Santos, despedido por Vieira ao fim da primeira jornada, Camacho e Chalana – e coleccionou humilhações nos vários campos do país. A gestão de Vieira atingiu os píncaros da contestação, mas, tal como diz García Marquez, a vida apresentou-lhe nova oportunidade de sobrevivência. E esta oportunidade vinha em forma de um trunfo que os adeptos do Benfica jamais ousariam desrespeitar. Rui Costa é um filho da casa, um príncipe da Luz e um símbolo do clube. Através do seu superior conhecimento de futebol e dos seus contactos internacionais, conseguiu contratar Pablo Aimar, Carlos Martins, Rúben Amorim, Suazo e Reyes. Quique Flores foi o treinador e a escolha correu mal. Mas voltou a ver-se no Benfica a identificação de jogadores de qualidade internacional que faltara antes.</p>
<p>No final da época, o treinador espanhol saiu e veio Jorge Jesus. Rui Costa continuou a dar à equipa técnica reforços de qualidade: Saviola, Javi Garcia e Ramires são disso bons exemplos. A época foi de grande qualidade e a chama imensa voltou. Jesus era o homem para onde iam todos os elogios, e os restantes seguiam para Rui Costa – o menino da casa convertido à pressa em director desportivo que tinha viajado pelo mundo fora a encontrar atletas de qualidade. Foi assim até que Vieira (que tinha andado tão bem caladinho) resolveu ir à SIC dar uma entrevista que teve apenas um propósito: amesquinhar o trabalho de Rui Costa para chamar a si todos os méritos. Na verdade, foi Vieira que quis contratar Jorge Jesus contra a vontade de Rui Costa. E essa foi uma boa decisão, honra lhe seja feita. Mas não havia necessidade de dizer que Rui Costa ainda estava a aprender, que tinha muito que crescer, que muitas decisões eram tomadas à sua revelia e que, se Jorge Jesus estava no Benfica, não era por causa dele. Faltou-lhe apenas dizer uma verdade entre tantas: se não fosse Rui Costa ter ido para director desportivo, os sócios do Benfica arrancavam Vieira da cadeira de presidente nem que precisassem de invadir o seu gabinete; se hoje o bigode estalinista ainda pode crescer ao lado da águia Vitória e da estátua de Eusébio, é por causa de Rui Costa e do carinho que a massa associativa encarnada nutre pelo seu eterno camisola 10.</p>
<p>Foi ele o primeiro a lançar as bases da equipa campeã da última época. Pela sua competência e influência, devia continuar a ter os poderes intactos. Mas parece que nesta pré-época, Jesus e Vieira dispensaram a ponte e os conhecimentos de Rui Costa, para reforçarem a equipa sozinhos. Os resultados, para já, estão à vista. E aquele que sai pior desta história é Vieira: primeiro usa, depois deita fora. O problema é que a fórmula já foi repetida e não convence mais ninguém. Por isso, na Luz, começa a desenhar-se uma nova fórmula vinda das bancadas. É mais ou menos assim: se o Benfica não recupera o bom futebol e não é campeão, a única saída para o presidente encarnado é a porta da saída. Porque os benfiquistas já estão fartos de ver o seu presidente destruir aquilo que constrói apenas por querer aparecer. E se isso acontecer, o Benfica mais não faz do que livrar-se da bagagem pesada e aproveitar uma nova oportunidade para continuar a sobreviver. Para lá de qualquer presidente, treinador ou jogador. Tal como diz o escritor.</p>
<p><em><strong>Foto: Direitos Reservados</strong></em></p>
<br/><p><img src="http://www.universofutebol.com/wp-content/plugins/emailthis/email.jpg" style="border: 0px; padding: 0px 5px 0px 0px; margin: 0px; float:left;" alt="Email this post"> <a href="/email/?id=2136" rel="nofollow" title="Enviar este artigo a um amigo" style="font-weight: bold;">Enviar a um amigo</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Perante o amor somos todos frágeis (até mesmo Jesus)</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 16:10:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Aguilar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[4x1x3x2]]></category>
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		<category><![CDATA[Benfica 2011]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge Jesus]]></category>

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		<description><![CDATA[Há dois tipos de amor (na realidade existem muitos mais, mas esta pareceu-me uma boa forma de agarrar a atenção do leitor logo de início). O amor à primeira vista dispensa grandes apresentações. Ele aparece, olha para ela e fica com o coração a 10 mil à hora. De repente julga ter encontrado a grande [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há dois tipos de amor (na realidade existem muitos mais, mas esta pareceu-me uma boa forma de agarrar a atenção do leitor logo de início). O amor à primeira vista dispensa grandes apresentações. Ele aparece, olha para ela e fica com o coração a 10 mil à hora. De repente julga ter encontrado a grande razão para viver, o triunfal motivo da sua existência. Pede um copo de água para molhar os lábios, que insistem em ficar secos, mas lembra-se que o melhor é mudar o pedido e atirar-se de penálti a um whisky duplo. Respira fundo, volta a olhar para ela e volta a tremer até que decide lançar o ataque. Depois espera ser correspondido da mesma forma. Reza para conseguir provocar nela o mesmo efeito de amor à primeira vista.</p>
<p>Como tudo na vida, pode ter sucesso ou não. Caso não consiga, o pobre coitado terá de se satisfazer com o segundo tipo de amor. Aquele em que, goradas as atracções e acelerações respiratórias das primeiras vezes, os casais aprendem a amar-se ao longo do tempo, mesmo depois da impressão inicial não ter sido escaldante para um deles ou, em muitos casos, para os dois. São as tais relações que começam porque o casal se acha simpático e tolerável, mas não mais do que isso. E uma vez que um deles (ou os dois) está farto de estar sozinho, entra numa de “vamos lá ver o que isto dá”.</p>
<p>Este género de relação à sorte, embora menos poético, pode ser construído dia após dia e resultar num amor tão grande ou maior do que aquele que acontece ao primeiro olhar e ao primeiro beijo. Por outro lado, também pode arrastar-se no tempo sem nunca possuir a verdadeira chama pela qual vale a pena viver e “partir a cabeça” umas quantas vezes.</p>
<p>Jorge Jesus está neste dilema. O seu amor à primeira vista sempre foi o 4&#215;1x3&#215;2 que trouxe de Braga e que lhe valeu o título de campeão nacional na última época no Benfica. Mas na história de amor dos encarnados já não há Di María e Ramires. Aqueles que funcionavam como asas das batidas cardíacas da águia, voam agora noutras paragens e atrás deles deixaram saudades, dúvidas e um treinador preso entre a vontade de manter o estilo e a necessidade de o alterar para poder adaptar jogadores de características diferentes.</p>
<p>Aqui vive Jesus. Em vez do homem seguro e confiante da última época, aparece alguém fragilizado pela dúvida. Atolado na indecisão. Na esperança de que os seus dirigentes possam continuar a alimentar o amor de outra época. Salvio vem nesse sentido. Espera-se que o argentino, oriundo do Atlético Madrid, possa transformar-se num “Di María parte 2” e reabilitar a ala esquerda com Fábio Coentrão – que tem de jogar a lateral, onde é melhor, onde tem mais espaço para arrancar freneticamente e onde se redescobriu para o futebol depois de uma primeira fase de carreira titubeante a jogar a extremo. Mas mesmo que Salvio resulte, falta solucionar o problema no lado direito. Rúben Amorim é uma opção de recurso, mas não é Ramires. É diferente. Ponto. Joga bem, faz o seu papel, mas não tem características que lhe permitam ser um clone do brasileiro que rumou ao Chelsea. E Carlos Martins também não.</p>
<p>Assim, Jesus fica preso na entrada do bar. Olha para a mulher que gostaria de ter. Aquela que é a rainha do baile, da discoteca, do festival de Verão, dos Jogos Olímpicos de Inverno e de todas as capas de revista. Para ele, o 4&#215;1x3&#215;2 da época passada é a Claudia Schiffer de David Copperfield, a Angelina Jolie de Brad Pitt, a Marina Mota de Carlos Cunha ou a Lolita de Humbert Humbert. Jesus podia olhar para a sua táctica preferida e lançar as mesmas palavras que servem de abertura ao romance de Vladimir Nabokov: «4&#215;1x3&#215;2, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma.» O problema é que os sócios do Benfica não têm paciência para obsessões que resultem em derrotas. Querem apenas vitórias. Conquistas imediatas.</p>
<p>Por isso, ali mesmo, entre o balcão e a pista de dança, o treinador do Benfica fica a pensar no que quer ter e no que pode ter. Está lá a mulher feita de fogo e cristal, mas ao lado tem a amiga. Não desperta nele a mesma alegria ou paixão. Apenas simpatia. E facilidade. Um caminho mais imediato para ter, pelo menos, sexo acompanhado, noites de domingo ao lado de alguém, uma parceira para ir às compras durante os saldos ou para visitar o Jardim Zoológico ao sábado de manhã. Não é a melhor de todas, mas pode ser que, com o tempo, ele aprenda a amar a sua nova táctica 4&#215;3x3 como um dia amou o seu grande amor 4&#215;1x3&#215;2. Ou então deixa tudo como está, ignora a amiga e lança-se de cabeça para onde o coração apontou à primeira vista. Se tiver sucesso, será o homem mais feliz do mundo. Se não conseguir, fica sem amada, sem amiga, e resta-lhe a solidão da derrota.</p>
<p>Seja qual for o caminho, Jesus não tem mais tempo para ponderações e dilemas. O mercado está a fechar, a época começou com insucessos e o amor (à primeira vista ou construído ao longo do tempo) não abunda em cada esquina.<em><strong></strong></em></p>
<p><em><strong>Foto: Direitos Resevados </strong></em></p>
<br/><p><img src="http://www.universofutebol.com/wp-content/plugins/emailthis/email.jpg" style="border: 0px; padding: 0px 5px 0px 0px; margin: 0px; float:left;" alt="Email this post"> <a href="/email/?id=2125" rel="nofollow" title="Enviar este artigo a um amigo" style="font-weight: bold;">Enviar a um amigo</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O quadradinho das empadinhas</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Aug 2010 15:28:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Aguilar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Figuras]]></category>
		<category><![CDATA[big balls]]></category>
		<category><![CDATA[empadinhas de frango]]></category>
		<category><![CDATA[michael thomas]]></category>
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		<description><![CDATA[Perto da minha casa há um café em que o dono, o senhor Abílio, se gaba de fazer as melhores empadinhas de frango de toda aquela rua. «Se fores para a outra praceta há lá um tipo que as faz bem melhores do que as minhas, nesta rua aqui atrás há uma padeira que tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Perto da minha casa há um café em que o dono, o senhor Abílio, se gaba de fazer as melhores empadinhas de frango de toda aquela rua. «Se fores para a outra praceta há lá um tipo que as faz bem melhores do que as minhas, nesta rua aqui atrás há uma padeira que tem umas espectaculares e na cidade inteira há para aí uns 200 estabelecimentos que misturam a massa e o frango com uma arte que eu nunca hei-de ter. Mas nesta rua, as melhores empadinhas são as minhas.» </strong></p>
<p>Para aqueles que não sabem onde moro, devo informar-vos que o café do senhor Abílio é o único daquela rua. Pensei em dizer-lho logo ali mas, ao ouvir esta descrição de alguém que se orgulha com tão pouco, lembrei-me de Michael Thomas, aquele médio inglês gordo que passou pelo Benfica, vindo do Liverpool, e que saiu de cá com várias otites por causa dos assobios que ouvia (já vão perceber a relação).</p>
<p>O Thomas era como os gordos da escola. Podias passar por eles a correr e dar pontapés, caldos e belinhas, mas aí de ti se o gordo te apanhasse no seu quadradinho. Aí, ias levar pancada por todas as humilhações que tu e os teus colegas magrinhos o fizeram sofrer. Ias apanhar por todos.</p>
<p>Assim era o Thomas. O gordo do recreio. Quando os adversários ousavam entrar no seu quadradinho e demoravam muito tempo a sair de lá, ele chegava, dava encontrões, recuperava a bola e passava-a com acerto. Raramente arriscava num passe a rasgar, mas endossava-a para o lado ou para trás em segurança. O pior era quando o adversário, mais esperto e mais rápido, aparecia no quadradinho e saia logo outra vez. Aí era uma chatice porque o Thomas tinha de pedir um requerimento a uma perna para levantar a outra e, quando olhava em redor, já estava outra vez sozinho no quadradinho (estranho Benfica o dessa época, em que até um gorducho inglês andou de águia ao peito).</p>
<p>Os sócios odiavam aquela falta de dinâmica, aquela lentidão. Assobiavam e insultavam até que a garganta falhasse de vez. O Thomas era tão vaiado no Estádio da Luz que, certo dia, até o seu treinador sentiu que devia vir defendê-lo. Foi Graeme Souness, aquele escocês com ar de borrachão. Chegou a uma conferência de imprensa e disse: «Thomas have big balls.» Em português: «O Thomas tem tomates.» Mais valia ao escocês estar caladinho ou beber uísque dentro do prazo. Todos os adeptos do Benfica sabiam que o Thomas, aquele gordo negro, com ar de segurança de discoteca, os tinha no sítio (na verdade ele abriu uma empresa de segurança depois de abandonar o futebol). Era por isso que o assobiávamos. Por saber que ele não se ia abaixo com uns poucos milhares de «vai para a tua terra, gordo de merda». Os adeptos do Benfica têm uma tremenda capacidade para analisar a mente alheia. Somos quase como psicanalistas à distância. Quando se trata de criticar a nossa equipa, só vaiamos aqueles que têm cabeça forte. E só assobiávamos o Thomas porque queríamos que ele aumentasse o tamanho do seu quadradinho mágico e ajudasse os colegas noutras zonas do campo.</p>
<p>Anos mais tarde percebemos que isso seria pedir muito. Seria contranatura. E o pobre Thomas não podia ser obrigado a fazer algo que, simplesmente, não nasceu para fazer. Era um perna-de-pau. Ponto. Mas um perna-de-pau satisfeito.</p>
<p>Por isso, não fui capaz de dizer ao senhor Abílio que não tinha grandes motivos de gabarolice por fazer as melhores empadas de uma rua onde os únicos estabelecimentos comerciais que existem são o seu café, uma loja de electricidade e um ateliê de arquitectura. Porque ele tem todo o direito de ser feliz no seu quadradinho e de querer ficar por lá, se não souber ou não quiser alargar-se a outros sítios. Assim como o Thomas era feliz naquele pedacinho de terreno onde ficava durante os 90 minutos, mesmo que todos nós o injuriássemos.</p>
<p>No dia em que ele saiu, fiquei feliz porque era difícil vir alguém mais lento para o seu lugar. Mas percebi que o Thomas, fosse para onde fosse, nunca se haveria de importar por saber que existiam milhares de médios melhores do que ele. Nunca quis ser um <em>box-to-box</em>, um todo-o-terreno ou um animal de agilidade. Quis apenas ser a melhor empadinha de frango da sua rua. E acredito que tenha sido assim até ao dia em que se despediu do futebol.</p>
<p><strong><em>Foto: Direitos Reservados</em></strong></p>
<br/><p><img src="http://www.universofutebol.com/wp-content/plugins/emailthis/email.jpg" style="border: 0px; padding: 0px 5px 0px 0px; margin: 0px; float:left;" alt="Email this post"> <a href="/email/?id=2117" rel="nofollow" title="Enviar este artigo a um amigo" style="font-weight: bold;">Enviar a um amigo</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Já sinto falta deste vilão</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Aug 2010 11:36:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Aguilar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Figuras]]></category>
		<category><![CDATA[bruno alves]]></category>
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		<description><![CDATA[O Mais Futebol descreveu-o da melhor forma. «Excessivo, conflituoso e imprescindível.» Assim é Bruno Alves. Podia ainda juntar-se «histérico», «líder» e «insubstituível». O último grande central do Porto trocou a chuva da Invicta pela neve de São Petersburgo e atrás dele deixa um buraco muito difícil de preencher. 
Sou daqueles, como muitos, que a primeira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O <em>Mais Futebol</em> descreveu-o da melhor forma. «Excessivo, conflituoso e imprescindível.» Assim é Bruno Alves. Podia ainda juntar-se «histérico», «líder» e «insubstituível». O último grande central do Porto trocou a chuva da Invicta pela neve de São Petersburgo e atrás dele deixa um buraco muito difícil de preencher. </strong></p>
<p>Sou daqueles, como muitos, que a primeira vez que viu Bruno Alves em campo ficou incrédulo pela violência com que disputava cada lance. «Assassino», «bandido» e «cão raivoso» foram algumas das ofensas que lançava sempre que o via espetar os joelhos nas costas dos adversários, dar pisadelas a jogadores caídos no chão ou acotovelar todos os atletas que se atrevessem a entrar em campo com uma camisola diferente da dele. Para mim, ele representava todo o espírito vilão com que sempre olhei o Porto desde criança. Era o soldado perfeito de um exército assente nos fundamentos da crueldade total.</p>
<p>Com o tempo, porém, fui obrigado a juntar alguns elogios a estas (merecidas) ofensas: poder de impulsão, velocidade, sentido táctico, implacável no jogo aéreo e forte a atacar, fosse através das cabeçadas certeiras ou dos livres directos que aprendeu a melhorar. Devo ter começado a apreciar as qualidades de Bruno Alves na mesma altura em que ele percebeu que um campo de futebol não é uma arena de Vale Tudo. Para isso, muito contribuíram Co Adriaanse e Jesualdo Ferreira, dois treinadores que conseguiram ver o potencial futebolístico para lá do feitio de mercenário. Foram estes dois homens que ajudaram a construir mais um grande central <em>made in</em> Porto. E têm sido muitos nas últimas duas décadas. Tantos que até me atrevo a dizer que a equipa principal do Porto é muito provavelmente a melhor escola de defesas centrais do futebol europeu. Fernando Couto, Jorge Costa, Jorge Andrade, Ricardo Carvalho, Pepe e agora Bruno Alves. Ao desfilar por esta lista de nomes, vêem-me à cabeça duas dúvidas:<br />
a)     Quem será o próximo?<br />
b)     Haverá próximo?</p>
<p>Os adeptos azuis e brancos de lirismo mais aprofundado conseguem ver semelhanças entre Pepe e Maicon, e consideram que Rolando tem condições para ser o novo Ricardo Carvalho. Tanto num caso como noutro, parece-me exagerado (sobretudo a segunda hipótese porque centrais como Ricardo Carvalho aparecem uma vez na vida), mas não me atrevo a dizer que seja impossível. O reino do dragão tem-nos surpreendido com homens que limpam o centro da defesa com qualidade superior. Portanto, recuso-me desde já a vaticinar um futuro fracassado a Rolando ou Maicon (no passado fizeram-no com Pepe ou Bruno Alves e tiveram de engolir os palpites). Mas uma coisa sei: mesmo que venham a ser centrais de dimensão internacional, nunca o serão esta época.</p>
<p>Ao perder Bruno Alves, o Porto fica sem o seu melhor defesa, o capitão, o comandante da equipa e um dos poucos que ainda sabiam o que era representar o clube e sentiam a responsabilidade inerente à camisola. Também sempre pensei que Bruno Alves (quando fosse para sair) rumasse a um campeonato e a um clube de maior dimensão. No Zenit só mesmo os salários são de grande clube. Tudo o resto é pequeno para um jogador que ganhou o lugar de internacional A com mérito inquestionável. Sair do Porto para a Rússia pode ser uma evolução financeira, mas é um retrocesso desportivo do qual, creio, nem o Porto nem o central vão sair a ganhar. Mas não há dúvida que é bom para Benfica, Sporting e Braga. Sem Bruno Alves, o Porto fica mais fraco. Mais despersonalizado. Perde um grande jogador e, pior ainda, perde um símbolo. E os símbolos, no futebol mercantilista actual, são cada vez mais difíceis de encontrar e manter.</p>
<p>Numa situação normal, poderia ficar contente por ver que o rival directo do meu Benfica enfraqueceu devido à perda de um dos seus elementos mais importantes. Mas neste momento a tristeza é maior. A tristeza de ver o campeonato português ficar sem uma das suas maiores figuras e a desilusão por saber que Portugal será sempre um país de transição até para aqueles que nascem aqui. Dificilmente algum dia teremos um jogador de longevidade na mesma camisola como Maldini no Milan, Totti na Roma, ou Raul no Real Madrid. E isso é uma pena. É uma pena ver partir aqueles com os que nos identificamos. Aqueles que dentro do campo sofrem como adeptos do clube que representam. São a extensão do sentimento que vem da bancada. E infelizmente são sempre esses os primeiros a ir embora. Boa sorte para a Rússia, caro Bruno. Eras o meu vilão preferido.</p>
<p><strong><em>Foto: Direitos Reservados </em></strong></p>
<br/><p><img src="http://www.universofutebol.com/wp-content/plugins/emailthis/email.jpg" style="border: 0px; padding: 0px 5px 0px 0px; margin: 0px; float:left;" alt="Email this post"> <a href="/email/?id=2108" rel="nofollow" title="Enviar este artigo a um amigo" style="font-weight: bold;">Enviar a um amigo</a></p>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Com quantos caracteres se escreve “merda”?</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2010 14:10:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Aguilar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[bruno alves]]></category>
		<category><![CDATA[pré-época]]></category>
		<category><![CDATA[ramires]]></category>
		<category><![CDATA[raul meireles]]></category>

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		<description><![CDATA[Falar de futebol nesta altura é quase tão ingrato como encontrar fundo de verdade nos discursos de alguns políticos. Aquilo que hoje é uma realidade, amanhã, muito provavelmente, é uma impossibilidade.
Imaginamos o Benfica semelhante ao da época passada, apenas com Gaitán no lugar de Di María, e logo somos obrigados a reformular tudo porque Ramires, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Falar de futebol nesta altura é quase tão ingrato como encontrar fundo de verdade nos discursos de alguns políticos. Aquilo que hoje é uma realidade, amanhã, muito provavelmente, é uma impossibilidade.</strong></p>
<p>Imaginamos o Benfica semelhante ao da época passada, apenas com Gaitán no lugar de Di María, e logo somos obrigados a reformular tudo porque Ramires, afinal de contas, vai sair para o Chelsea, se bem que ainda há a possibilidade de ficar. E assim o Benfica pode perder os dois asas do meio-campo da época transacta. Ou não. Sobre incertezas não se constroem palpites certos.</p>
<p>Assim como Paulo Sérgio não pôde edificar o meio-campo leonino com Miguel Veloso, embora tenha chegado a testar e a acreditar nessa hipótese. Sobra-lhe agora Zapater para fazer a vez do médio que seguiu para o Génova.</p>
<p>Sobre o Porto muito se mexe, e mais ainda se fala, mas Bruno Alves e Raul Meireles, para já, continuam de azul e branco, embora todas as cogitações acerca dos dragões da nova época sejam realizadas sem o nome destes dois internacionais. E se ficarem? Bruno Alves será titular de pedra e cal. Por outro lado, conseguirão Meireles e Moutinho conviver no mesmo onze sem que a equipa se ressinta de falta de criatividade? Será o 4&#215;1x2&#215;3 a melhor solução para colocar os dois médios à frente de Fernando? Ou terá Villas-Boas de alterar esta mecânica para um meio-campo com quatro elementos que, na época passada, deu melhores resultados a Jesualdo Ferreira do que a anterior estrutura de três centrocampistas? Assim já poderia colocar ou Ruben Micael ou Beluschi. E se Meireles sair, até pode pôr os dois. Ou só um, se o modelo de jogo continuar a ser o dos três médios. Ou nenhum, se Meireles ficar.</p>
<p>São dúvidas a mais para se fazer jornalismo. Pelo menos bom jornalismo. E sendo assim sobra apenas espaço para a especulação e para a esperança. A esperança de todos aqueles que escrevem adivinhas mascaradas de certezas não verem as suas palavras desmentidas por uma movimentação de mercado de última hora.</p>
<p>Para quem gosta do futebol enquanto jogo, a pré-época é uma fase irritante. Para quem gosta de tudo o resto no futebol, esta é a fase do deleite com mentiras à beira-mar. E há-de ser sempre assim. «Este fica, mas está a sair. O outro está a chegar, mas já não vem.» Até que a bola comece a rolar e o mercado de transferências feche. Antes disso, são necessários muitos caracteres para escrever sempre a mesma merda. «Deve ser assim, mas é provável que não seja.»</p>
<p><em><strong>Foto: direitos de autor</strong></em></p>
<br/><p><img src="http://www.universofutebol.com/wp-content/plugins/emailthis/email.jpg" style="border: 0px; padding: 0px 5px 0px 0px; margin: 0px; float:left;" alt="Email this post"> <a href="/email/?id=2097" rel="nofollow" title="Enviar este artigo a um amigo" style="font-weight: bold;">Enviar a um amigo</a></p>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Um penálti é mais do que um remate</title>
		<link>http://www.universofutebol.com/2010/07/um-penalti-e-mais-do-que-um-remate/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 15:13:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luis Aguilar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Figuras]]></category>
		<category><![CDATA[calvente]]></category>
		<category><![CDATA[cruyff]]></category>
		<category><![CDATA[panenka]]></category>
		<category><![CDATA[penaltie indirecto]]></category>

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		<description><![CDATA[De Panenka a Ezequiel. Ao longo dos tempos os marcadores de grandes penalidades têm tentado inventar novos estilos para bater os guarda-redes. Aqui ficam os três penáltis mais criativos de sempre, cópias mal sucedidas e dois extras de Francesco Totti (entre o céu e o inferno).
1. Antonin Panenka
Estamos na final do Europeu de 1974. Local: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>De Panenka a Ezequiel. Ao longo dos tempos os marcadores de grandes penalidades têm tentado inventar novos estilos para bater os guarda-redes. Aqui ficam os três penáltis mais criativos de sempre, cópias mal sucedidas e dois extras de Francesco Totti (entre o céu e o inferno).</strong></p>
<p><strong>1. Antonin Panenka</strong></p>
<p>Estamos na final do Europeu de 1974. Local: Belgrado, antiga Jugoslávia. De um lado a poderosa Alemanha (então RFA) de Beckenbauer, Bonhof, Muller e Vogts. Do outro, a Checoslováquia de Nehoda, Ondrus, Jurkemik, Masny e… Panenka. Os 90 minutos e o prolongamento acabaram com um empate a duas bolas. No desempate por grandes penalidades, as equipas marcaram os primeiros quatro. Depois o alemão Honess atirou o quinto por cima da trave. Chegou a vez de Panenka. Se marcasse, o seu país sagrava-se campeão europeu. Olhou para o gigante guarda-redes Maier, já percebera que este deixava sempre cair o corpo ligeiramente para a esquerda, tomou muito balanço, simulou um balázio e depois veio a leveza… colocou o bico da bota por baixo da bola e fez esta levantar-se num sublime chapéu que entrou a meio da baliza enquanto Maier caia, impotente, vendo o esférico entrar nas suas redes. Panenka já marcara várias vezes penáltis destes no campeonato checo, ao serviço do Bohemians, mas o mundo só ficou a saber naquela noite de Belgrado. Foi aí que um dos grandes jogadores checos de todos os tempos escreveu o seu nome na história imortal do futebol. Depois dele seguiram-se muitos “imitadores” (como Hélder Postiga, no Euro 2004, ou Zidane, na final do Mundial 2006, frente a Buffon), mas a marca registada há-de pertencer sempre ao homem que deu o nome ao movimento. Aqui fica o penálti à Panenka com o carimbo do próprio.</p>
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<p><strong><br />
2. Johan Cruyff </strong></p>
<p>Dele se diz que foi o jogador mais inteligente de sempre. Um pensador do jogo que tinha a habilidade de transformar as reflexões em movimentos reais, precisos e bem sucedidos. Foi o grande impulsionador e intérprete do “futebol total” da Holanda «Laranja Mecânica», das décadas de 70 e 80, além de ser o homem que idealizou os fundamentos onde hoje assenta o tiki-taka do Barcelona e da selecção espanhola. Em 1982, já na fase final da sua carreira, contribuiu com um momento que serviu para provar, mais uma vez, a sua superior inteligência nas artes da bola. Com a camisola do Ajax, readaptou com êxito o penálti indirecto inventado pelo belga Rik Coppens, em 1957. A equipa de Amsterdão vencia por 5-0 o modesto Helmond Sport. Cruyff aproximou-se da marca e, em vez de chutar, passou a bola para o lado onde apareceu o seu companheiro Olsen que lhe voltou a devolver a bola: o guarda-redes ficou perdido no meio da tabela e espantado por aquele gesto enquanto via a bola entrar na sua baliza. Anos mais tarde, os franceses Robert Pires e Henry tentaram fazer o mesmo com a camisola do Arsenal, mas a brincadeira deu para o torto quando Pires se atrapalhou e estragou tudo. Depois do jogo, Henry e o treinador Arséne Wenger reagiram com gargalhadas ao incidente. É caso para dizer que a grande penalidade indirecta é para quem pode. Não é para quem quer.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Penálti indirecto de Cruyff e Olsen </strong></span></p>
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<p><span style="text-decoration: underline;"><strong><br />
O desperdício de Pires e Henry </strong></span></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/dgPSY4aoGxI&amp;hl=en_GB&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/dgPSY4aoGxI&amp;hl=en_GB&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong><br />
3. Ezequiel Calvente</strong></p>
<p>Este texto será bem mais pequeno do que os dois anteriores. Porque Ezequiel Calvente é um ilustre desconhecido. Um anónimo junto de Panenka ou Cruiyff. Porque Ezequiel Calvente é apenas um menino da selecção de sub19 de Espanha. Mas no que toca a marcar penáltis criativos, o jovem jogador do Bétis também já tem uma palavra a dizer aos grandes mestres. No Europeu de sub-19, o jogador nascido em Melilla, fez o terceiro golo frente à Itália de uma forma até agora nunca vista. Na hora de marcar a grande penalidade, rematou… com o pé de apoio. Os jogadores italianos correram para o árbitro auxiliar a protestar o lance. Provavelmente porque não se lembraram de nada melhor para fazer. Mas foi tudo legal, claro, e Calvente pôde escrever o seu nome ao lado de grandes históricos do futebol. Dos catedráticos aos rapazinhos, ainda há quem queira fazer do momento do penalti algo mais do que um simples remate à baliza. Haja magia e imaginação.</p>
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<span style="text-decoration: underline;"><strong></strong></span></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong><br />
Totti: penálti de calcanhar… num treino </strong></span></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/mLrxVPlZLMg&amp;hl=en_GB&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/mLrxVPlZLMg&amp;hl=en_GB&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><strong><br />
Totti: a pior imitação de Panenka de sempre</strong></span></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/J6LqnUlYgmw&amp;hl=en_GB&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/J6LqnUlYgmw&amp;hl=en_GB&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<br/><p><img src="http://www.universofutebol.com/wp-content/plugins/emailthis/email.jpg" style="border: 0px; padding: 0px 5px 0px 0px; margin: 0px; float:left;" alt="Email this post"> <a href="/email/?id=2088" rel="nofollow" title="Enviar este artigo a um amigo" style="font-weight: bold;">Enviar a um amigo</a></p>]]></content:encoded>
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